segunda-feira, 5 de abril de 2010

Papel



Era naquela tela rasgada que a pintura prevalecia silenciada pelo segredo do papel. Mas era assim que estava escrito.
Pintámo-la sem querer, queimámos. O sabor do luar, o despertar dos sentidos que nem conhecíamos assim tão bem, mas era assim que estava escrito. E a cegueira que me envolveu entre o fogo e os ventos provenientes da janela do nosso rio... Queria que a noite nos envolvesse num perfeito cenário que agora se esboçava para nós. Estava escrito.
Relembro a brisa que te encontrou e te causou um brusco e forte calafrio nas costas e livremente nos prendeu. Porque as cores que usámos, borratámos e repintámos. Talvez devesse falar mas tinha medo de quebrar aquele cenário e juntei mais cores àquele surdo silêncio, pois era assim que deveria estar escrito.
As paredes murmuravam entre si e os cortinados eram suavemente arrastados pela melodiosa brisa.


Era segredo, estranho mas segredo, que o papel guardará, pois é assim que está escrito.

Carina Cristino, 25 de Novembro de 2009

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