
Abri os olhos num simples acto sem sentido. Ou talvez até o tivesse. Neste momento não sei nada. Os meus olhos procuram as respostas para as perguntas que o meu corpo exclama através de um grito mudo de aflicção. Onde estou? O que é isto tudo à minha volta? O que aconteceu?
Sentia tudo à minha volta como se estivesse estado anos e anos sem o conseguir fazer. Venerava cada partícula de ar que eu agora sentia entrarem no meu nariz, tal como sentia o meu coração a bater presistentemente pela vida, sentia os pulmões enchendo-se das pequenas partículas de ar e soltando uma parte delas.
Olho, ressaltada para a porta daquela pequena e estranha sala. Algumas pessoas, não sei quantas, entram ,vestidas de branco, a correr até mim. Ou melhor às máquinas que estavam à minha volta, cujas estava a ver pela primeira vez desde que "acordara do meu longo sono".
Ao olhar para elas, reparo que ao lado da porta estava uma grande janela, a qual também não vira antes. Do lado de fora daquela janela estava um rapaz a olhar pra mim, com o seu lindo rosto coberto de lágrimas, preocupação, ansiedade e com uma esperança inacabada a crescer aos poucos.
Os meus olhos não largavam os dele até sermos interrompidos por uma das pessoas que havia entrado, agora acenando pra mim com um grande sorriso.
Um outra mulher, partilhando do mesmo entusiasmo, parecia estar a chamar alguém, razão pela qual, suponho eu, se tenham afastado todas as pessoas que me rodeavam.
O rapaz da janela vinha a correr pra mim com a cara cheia de alívio, saudade e algo mais que não conseguira indentificar devido à velocidade com que ele vinha até mim. Abraçou-me e disse baixinho ao meu ouvido: "Nunca me deixes, eu amo-te. Vá agora inspira, segura e expira."
Carina Cristino; 6 de Setembro de 2009
Sem comentários:
Enviar um comentário