quinta-feira, 22 de julho de 2010

conto de fadas

Eu passo a explicar; eu antes de criar este blog, já tinha outro (e agora a questão: então para que é que criaste outro? pois não sei. é cool). adiante; nesse blog já tinha uns quantos textos e vou passar alguns deles para aqui, por isso não se admirem com as datas em que eles foram feitos (apesar de que este não tem data definida de momento).


Sentir aquela brisa bater-me na cara e a percorrer o meu corpo até aos pés, fazia-me sentir arrepios.
Aquelas bonitas asas embelezavam o meu corpo de tal maneira que me faziam sentir quase perfeita.
Ouvia tudo tão bem... a canção do vento que ecoava por entre as árvores, os gritos da água ao embater nas pedras do rio com tal força e prazer, até o suave murmúrio da lenha a arder na fogueira de uma das poucas casas ali perto, quase sentindo a sua dor.

Um uivar despertou-me a atenção. Era sinal que estava a ficar tarde demais. O meu tempo levara-o o vento e a maré daquele oceano de pensamentos em que havia mergulhado, puxava-me brutalmente para a superfície. A força e a insistência era tanta que cedi. Uma expressão vazia e morta. Um sentimento nostálgico do tempo que o vento me havia roubado. Vento esse que, atrozmente, obrigara as correntes do denso oceano de pensamentos a trazerem-me à superfície.

Teria agora de voltar a casa. Um dos bons aspectos de ser como eu, ter asas, era que não precisava de me esforçar muito para poder voar. Bastava o poder da concentração, coisa que para nós era bastante fácil de conseguir. Por isso num abrir e fechar de olhos já estava a voar o mais alto e rápido que conseguia e podia. Desejava que já fosse tarde o suficiente para que não dessem pela minha chegada. Não estava com disposição para perguntas. Por isso, o melhor era ir mais devagar para que lhes desse tempo de ir dormir.
Era bom sentir-me livre. Enquanto voava a um ritmo mais lento, ia dançando. Como se fosse uma princesa...
Estava quase a chegar. As luzes do castelo estavam apagadas e a grande janela do meu quarto estava ainda aberta, como a havia deixado quando saíra. Penso que podia seguir à vontade, mas com cuidado.
Saí de trás da doce e velha árvore, onde me escondera por breves segundos, para analisar a minha casa, e voei o mais rápido e suave que consegui em direcção ao quarto.

Mal entrei, fecho a janela, deito-me na minha cama e fecho os olhos.

Bons sonhos.

Carina Cristino

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